quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Um novo desafio, uma nova vida

E pronto, lá vem ela com mais um plano :) E a novidade é que finalmente não me afecta o que possam pensar da minha milésima tentativa de melhorar a minha saúde e hábitos. Talvez por estar contente por ainda não me ter rendido e ficado na espiral negativa que tem sido a minha vida, hoje sinto orgulho por estar a querer dar este passo.
E segue a mensagem para o meu ego: Sorry, you had me for a second, but no. Not giving up yet.

Que isto sirva de inspiração para duas meninas que eu adoro e que andam envergonhadas ou a sentir-se 'repetitivas', tal como eu também ainda sinto..<3  Cada plano conta, cada queda, cada passo atrás, cada regresso ao ponto de partida ou ao -2. Tudo isso são peças importantes num caminho bem maior do que conseguimos ver e que ainda não parámos de percorrer, por mais que pensemos que sim. Demore o que demorar, não podemos desistir, há que respeitar o nosso ritmo, sem dúvida....mas parar - não.

A vida é muito curta para não lutar com unhas e dentes pelos nossos objectivos e esta é uma comunidade em que todas nós lutamos, independentemente do seu contexto de vida. Não há ninguém menos capaz, simplesmente há quem tenha tentados vezes suficientes e pessoas que ainda precisam de continuar a tentar. Mais forte, mais intenso, mais implacável.

Tenho aprendido e.. com alguma dor pelo meio, que tudo o que pensamos que é garantido nos pode ser arrancado a qualquer momento, isso inclui coisas, pessoas externas a nós... e nós mesmos.

Eu continuo a acreditar que é possível atingirmos um objectivo saudável num peso que seja equilibrado, mas acima de tudo, um tipo de vida leve que se reflecte na alimentação e na forma como lidamos com problemas, com pessoas e connosco.

Eu sei que na passagem de ano disse para mim mesma que 2013 ia trazer-me muita aprendizagem, bons momentos e orgulho em mim mesma. A verdade é que os últimos 8 meses foram muito complicados, mas os próximos 4 hão de ser bons, nem que seja na minha atitude optimista e no facto de que neste dia em particular, dia 22 de Agosto, às 7 da manhã, eu sou uma pessoa que não desistiu, que aprendeu muito, que teve bons momentos, nem que seja no interrail que consegui fazer de forma independente.... e sou uma pessoa orgulhosa de si, ainda que não tenha perdido o peso que queria. E deixo ficar apenas essa palavra..... 'ainda'.


Beijinhos!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Limites testados

Olá a todas,

Hoje decidi escrever porque acho que estou finalmente num 'sítio' mais estável na minha vida. Mas o que é certo é que os últimos 4 meses foram absolutamente destrutivos.
As coisas com ele ainda deram uma reviravolta, mas acabou por ser simplesmente o último esforço de ambas as partes. Fiz um interrail em Maio que me abriu novos horizontes, quando regressei ainda tive esperança que as coisas entre nós resultassem, mas eu sentia com todos os poros que já não podia esperar mais por ele. Esperei até ao meu aniversário em Julho e depois terminei tudo, definitivamente, sabendo que mesmo que ele regressasse com todas as palavras certas e decisões tomadas, eu não iria ceder mais. Dei tudo, realmente tudo e tive esperança até ao último minuto mas estamos em sítios diferentes e não faz sentido estragar tudo de forma gratuita.
Claro que até Julho andei a comer imenso e em profunda ansiedade, o que me estragou os resultados positivos que tinha tido no emagrecimento.
Umas semanas depois disto, o meu gato morreu repentinamente, estando eu sozinha em casa. Foi talvez dos momentos mais dolorosos da minha vida. Dei por mim sozinha e sem saber como funcionar...Só saí de casa para trabalhar, praticamente não dormia.. até que umas semanas depois, recebo mensagem de alguém que pensei que já não estava na minha vida há muito tempo... foi confuso, intenso e... mais uma desilusão, porque o mundo deu milhentas voltas nos últimos 10 anos e agora é tarde demais para o quer que seja. Assim que percebi que esta era mais uma relação impossível na qual estava a despejar o que restava de mim, cortei tudo pela raiz. Tive de lidar com a solidão de forma crua, mas era algo que tinha de enfrentar.
Pode-se dizer que todos os meus limites foram testados e nunca estive tão perto de um esgotamento como nas últimas semanas. Felizmente tenho feito alguma terapia de grupo e meditação, o que me ajudou bastante.
Ainda estou em recuperação e tenho várias feridas abertas. Mas ainda estou viva e quero voltar a 'ser eu'. Já quis escrever aqui mais cedo, mas pus na minha cabeça a ideia parva de que escrever no blog seria mais uma forma de auto-pressão. Hoje percebi que isto é uma comunidade e que todas nós passamos por coisas graves na vida e que, é possível que venha a ser testada com problemas bem maiores no futuro. Não me posso julgar nem fugir do mundo por achar que a minha vida é uma colecção de fracassos. Sei que tudo acontece por uma razão e que não há nada que nos aconteça que não possamos ultrapassar.

Ontem fiz a minha primeira sessão de terapia com base nos meus problemas emocionais que me levam a refugiar na comida. Tenho um longo caminho pela frente mas estou a ser acompanhada e aos poucos voltarei à tona.

Um beijo grande *

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Facadas

Quando eu penso que não havia forma de sofrer mais, eis que recebo um email dele com todas as palavras erradas, com a atitude que ele não podia ter, com facas escondidas que me feriram...ainda mais.
Quero tanto não deixar que isto me afecte mas o meu coração parece conseguir partir-se vezes sem conta e a dor esgota-me, suga tudo o que tenho dentro de bom até ficar sem qualquer conteúdo.

Mas eu não vou desistir de dar esta volta por cima, eu vou continuar o meu plano, doa a quem doer. A minha vida não vai parar mais em função disto.


Bjs e obrigada pelas vossas palavras *

terça-feira, 16 de abril de 2013

A vida é um dia de cada vez

E ja lá vão 2 dias limpos.

Limpei o meu quarto, arrumei coisas que tinham de ser arrumadas, como fotos dele, coisas que me ofereceu, entre outras coisas que precisavam também de ser organizadas e colocadas mais à vista, como a minha colecção de brincos, colares, livros, etc. A roupa também foi toda organizada e agora planeia-se o interrail pela Europa que vou fazer no final de Maio e Junho + Caminho de Santiago de Compostela.

O meu escritório também está quase no ponto ideal, faltam uns posters de espectáculos feitos por nós e um mini frigorífico para guardar iogurtes e comida no Verão. Já foi reorganizado, muita coisa foi para deitar fora ou devolver a donos que já não trabalham lá. pude finalmente ter espaço para uns incensos, velas e plantas artificiais (não há janelas, por isso tudo o que puder dar mais energia àquele sítio é bem-vindo), há muito mais cor e mais 'zen'. Também há um mapa do mundo com viagens que eu e a minha colega gostávamos de fazer e que já fizemos - como forma de ter um escape quando nos sentirmos muito 'enclausuradas', sonhar e planear viagens futuras. Também chamámos a equipa de informáticos para formatar os computadores e torná-los mais rápidos. Portanto, aos poucos vou contribuindo para um ciclo de melhoria e organização das coisas à minha volta que.. com a minha personalidade, é essencial para melhorar e organizar os meus pensamentos e gerir mudanças grandes que estejam a ocorrer.

Tenho tentado apanhar sol, mas tem sido muito pouco. O exercício também tem falhado mas isso vai mudar a partir de amanhã em que tenciono fazer uma caminhada, sair com amigas e apanhar sol, de preferência. Depois à noite, trabalho mas já vou com outro ânimo. Na quinta estou de folga e tenho ainda o dia em aberto para distracções e bem-estar.

Na parte de alimentação também estou melhor, tenho almoçado umas saladas muito boas com mistura de fruta e outras coisas boas. A água também não tem faltado, o que já me faz sentir melhor, menos inchada.
Sinto falta de meditação e de algum tempo sozinha, para ver um filme no cinema ou para caminhar e ver o mar. Acho que é isso que vou fazer na minha folga, quem sabe. Ou depois, sem pressões :)

Beijinhos

D.

domingo, 14 de abril de 2013

Auto-Voluntariado

Fazendo uma auto-análise, sem dúvida que tenho MUITA coisa a melhorar em mim que há muito ficou esquecido... O primeiro passo é parar mesmo que temporariamente de pôr os outros à minha frente.
Desta vez e se tudo correr bem, durante muito tempo, serei eu no topo da lista. Serei a primeira a colocar o meu bem-estar como prioridade principal, mesmo que isso envolva algum tough-love da minha parte. 

O que é que preciso de mudar para me voltar a sentir melhor? Há uns meses convenci-me que era voluntariado que devia ir fazer, que devia de ir para África, despedir-me do meu trabalho e largar tudo para ajudar quem precisa. Até que uma amiga me abriu os olhos e me perguntou qual era o motivo de uma pessoa que não se faz bem nenhum a si mesma, largar tudo e achar que vai conseguir sentir-se bem ajudando a resolver problemas dos outros..quando nem sequer aprendeu a resolver os seus próprios problemas, que tipo de energia iria eu passar para crianças e pessoas que não escolheram estar nas suas situações? Ela sugeriu que fizesse primeiro um "auto-voluntariado". O que é que precisas para te sentir bem, Dany? Eu sei que és saudável e tens uma casa e família, tal como comida, ao contrário de muita gente no mundo, mas se não consegues aproveitar tudo isso e tornares a tua vida em algo melhor, então se calhar não estás pronta para te enfrentar perante tudo o resto.

A pergunta faz eco... O que é que eu preciso? O que é que eu deixei para trás e que mais ninguém vai poder fazer por mim? As respostas vão surgindo e transformando-se numa espécie de lista de deveres, de tarefas, das quais não existe um pagamento em €, apenas se recebe algo energético, um bem-estar e sentido de pertença. O que um voluntário recebe precisamente a longo prazo depois de uma missão. Como voluntária na minha missão humanitária para tornar a minha vida melhor, decidi diariamente focar-me nas seguintes tarefas:

Distrair-me, sair de casa, apanhar sol. Organizar-me, organizar o meu roupeiro e o meu quarto, organizar as minhas viagens. Criar tarefas e ajudar a minha mãe em vez de ficar o dia inteiro no quarto. Organizar o meu escritório, redecorar, torná-lo mais meu. Tomar conta do meu corpo. hidrata-lo, fazer depilação, comprar alguma maquilhagem de qualidade, aprender um pouco mais sobre isso. Tornar a aparência mais cuidada, investindo pelo menos acessórios e cores. Exercício físico por terapia e não como razão directa para perder peso. Caminhadas. Sair com amigos, e também com amigos de amigos. Investir no meu emprego, trabalhar de forma mais focada, mostrando interesse e humildade. Voltar a fotografar, a descobrir música nova. Investir em tempo sozinha, um passeio, uma ida ao cinema ou simplesmente para ir treinar a condução.

Viajar está praticamente como prioridade nº1, porque é algo que adiei demasiados anos em prol de outros. Mas claro... perder peso, o assunto-tabu mascarado de "elefante na sala" de quem nunca ninguém quer falar. Emagrecer continua a ser crucial e a estar lado a lado com o desejo insaciável de viajar. Sendo que a solução desse problema, passa pela criação de uma rotina e numa mudança de hábitos ao longo de todo o dia, tenho noção que terei de tentar intensamente entrar no esquema.. mas sem pressões nem exigências mirabolantes.

Porque eu conheço-me e sei que planos muito complexos permitem muitas desculpas para desistir, decidi simplificar a receita para perder peso em poucos passos... mas eficazes:

- Comer RELIGIOSAMENTE de 3 em 3h . 5 refeições por dia
- Beber RELIGIOSAMENTE 1,5L de água por dia
- Fazer jejum depois das 22h30 (e de um pequenino lanche)
- Investir em saladas, sopas e frutas + proteína
- Cortar o máximo possível os fritos e açúcar, tal como comidas com muita gordura e processadas (croissants, folhados, pizzas pre´-feitas) preferir uma fatia de bolo caseiro feito com stevia, ou pizza com massa fininha caseira, ou fritos com pouquinho óleo / preferir o azeite feitos em casa - tudo com máximo de moderação e apenas quando realmente apetecer.
- Alcool - apenas 1 copo de qualquer coisa por semana, socialmente.

O dia nº1 oficial dessa missão de voluntariado começa amanhã, terá os seus altos e baixos, mas pelo menos é uma missão apenas minha onde as vontades e necessidades alheias não entrarão em choque com as minhas. O objectivo desta missão é uma nova versão de mim, não uma Dany que um dia foi feliz, mas uma Dany que é consciente do que vale e do que merece. Que sabe tirar partido de todas as experiências, incluindo as más. Que é ela mesma e fiel a si mesma acima de tudo. O prémio maior que virá dessa missão será poder uma missão de voluntariado com outras pessoas que poderei certamente ajudar, de coração mais aberto. Se houver mais amor de mim para mim, então é óbvio que abundará para os outros. E esse é o ciclo que devo alimentar.

Obrigada pelas vossas palavras e por estarem aí.

Beijos

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Parte II - O estilhaçar de um coração

Acho que ainda não sei se consigo escrever sobre isto, mas vou tentar...

Como sabem, em Agosto a minha relação de 4 anos tinha praticamente terminado, felizmente por motivos pessoais de cada um e não por termos feito mal um ao outro. Porque nos amávamos (e ainda nos amamos), em Novembro decidimos não fugir um do outro e tentar resolver os nossos problemas estando mais próximos e com apoio mútuo. No entanto, a partir de Janeiro comecei a perceber que estava outra vez a deixar-me ficar submersa nos problemas familiares dele e a deixar-me, novamente, para trás. A meio Fevereiro comecei a entrar numa espécie de depressão, porque me sentia presa a tudo, ao meu trabalho que na altura ainda estava muito instável, à casa dos meus pais... e a ele, sem que isso pudesse trazer-me nada de bom, por mais que soubesse que ele me amava. Em Março lutei contra este sentimento, mas continuava a sentir que não havia espaço para mim numa vida tão atribulada como a dele... E as minhas mãos atadas, porque não podia ajudá-lo, não podia decidir por ele a sua própria revolta contra as injustiças e os traumas impostos pelos pais e contra uma vida que não era vivida. Como é que eu o poderia fazer feliz se ele achava que não poderia ser enquanto não deixasse a família fora de perigo? Se ele não percebia que a responsabilidade sobre todos os problemas era dos pais e das suas decisões...e  não dele? Como fazê-lo perceber que ele estava simplesmente a alimentar um processo que lhe rouba a vida e o manipula durante décadas...? Não podia fazer mais nada.

Ele é o meu sonho, a melhor pessoa que eu conheço, definitivamente com quem queria ficar e com quem tinha um projecto especial. Ele continua a ser quem eu amo e com quem quero partilhar tudo, com quem quero ter filhos... Mas não tenho mais forças para adiar a minha vida ao mesmo ritmo que ele adia a dele.

No início deste mês, Abril, o nosso mês, o mês em que fazemos 5 anos, decidi (e no fundo, ele também.. porque viu o estado em que eu estava) que era melhor separar-nos. Mas as dúvidas continuam a consumir-me e o medo de me arrepender, que se calhar devia mesmo ter ido até ao fim, até não haver mais uma gota de esperança. Mas tento pensar que isso seria mais uma forma de lhe fazer mal, além do mal que ele já faz a si mesmo. A decisão é dele e eu sei o sofrimento em que ele está e o processo longo que tem de atravessar. O meu desejo mais profundo era que ele acordasse um dia e percebesse que merece ter uma vida e libertar-se da culpa que carrega, que é uma pessoa individual capaz de amar e fazer outra pessoa feliz, que tem direito a uma família. Que surgisse aqui à minha porta e assumisse esta relação e o controlo sobre a sua vida.

Confesso que parte de mim ainda está em negação, acho que isto pode ser tudo temporário e que ele não vai deixar que isto aconteça. A outra parte de mim teme o pior e enraivece-se contra Deus ou quem quer que seja que torna tudo impossível. Por vezes questiono tudo, quando duas pessoas que se amam, não podem ser felizes... o que é que afinal posso desejar, quando o que mais quero é impossível de concretizar? Não é justo depois de 5 anos a lutar... Não sei lidar com isto, não consigo dormir nem parar a minha cabeça quando já não há nada que me distraia, tudo o que há em mim... é ele.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Parte I - Como saber regressar...

.. quando já me perdi tantas vezes?

Com inspiração na Ju decidi voltar a escrever para ver como me sentiria depois. Mas confesso que se desapareci foi porque mais uma vez deitei tudo a perder na parte alimentar e não tive coragem para assumir nem sequer comigo mesma, que o que estava a fazer não estava a resultar e que o problema-chave continuava a ser ignorado.

Mesmo neste momento em que escrevo isto, sinto-me um disco riscado com uma canção irritante. Mas tal como a Ju costuma dizer, todos temos os nosso padrões e ciclos à espera de serem quebrados. Talvez a vida inteira seja um grande ciclo no qual cometemos os mesmo erros, outra e outra vez, até que haja finalmente a percepção de que se fizermos algo diferente, talvez o caminho também o seja. Antes de falar da comida e do peso todo que ganhei de volta e das frustrações, compulsões e 'auto-flagelações' alimentares, achei por bem que vocês devessem conhecer-me um pouco melhor.

Parte do meu problema-chave que me remete para as flutuações de peso, passa pela aceitação e pela libertação da culpa. Desde que me lembro de ser pessoa que exijo o impossível de mim e quando, naturalmente, falho perante o impossível sou a mais cruel das castigadoras. Ao ponto de ignorar todas as batalhas efectivamente vencidas a caminho do impossível, dos ganhos e evolução óbvia. Sempre achei que essas evoluções e batalhas ganhas eram migalhas face aos grandes objectivos que tinha de cumprir. Parte deles sempre foram a estabilidade económica e pessoal, como um emprego que pagasse razoavelmente no qual eu pudesse evoluir e aprender a ser melhor e uma casa minha onde pudesse haver quartos para receber quem eu gosto e proteger quem precise. Posso tentar não olhar muitas vezes para a fonte desses sentimentos, desejos e medos mas, definitivamente, tudo isto está relacionado com a responsabilidade que sinto desde muito pequena para com a minha irmã mais velha, que tem autismo e que é completamente dependente dos meus pais. Pais que um dia não estarão cá e que contam comigo para cuidar dela e se possível continuar a cobrir todas as despesas MUITO altas de medicação, educação especial, etc. Felizmente não devo este sentimento absurdo de exigência para comigo mesma aos meus pais, porque eles nunca me incutiram isso e sempre tentaram deixar uma conta bancária com o mínimo dos mínimos (com muito custo da parte do meu pai, como 10 anos a trabalhar em 2 trabalhos sem qualquer folga semanal) para caso no futuro fosse necessário dar-me essa escolha.

Por alguma razão, a partir de certa altura decidi que tinha de ser o oposto à minha irmã, ou seja, independente, adaptada ao mundo e às suas dificuldades, como se de uma preparação mental e espiritual se tratasse. Comecei a trabalhar com 15 anos com a minha mãe, cheguei a tomar conta do pronto a comer dela sozinha vários dias por semana enquanto ela descansava e recuperava de muitas horas a cozinhar sozinha e para ela poder ver e cuidar da minha irmã. Aos 16 trabalhei numa loja de decoração perto da minha casa. Aos 17 trabalhei num restaurante e celebrei lá o meu 18º aniversário. Aos 19 entrei na faculdade e fiz um estágio de alguns meses não reumunerado, aos 20 trabalhei num call-center e depois fiz outro estágio aos 21. Aos 22 terminei o curso e 1 mês depois estava a trabalhar num bar de Jazz. depois disso nunca estive mais do que 15 dias sem trabalhar e cheguei a fazer outro estágio (neste caso remunerado) de 1 ano. Saí de casa dos meus pais com 23 anos ainda, fiz os 24 logo a seguir. Hoje, aos 25, quase 26 depois de ter chegado a trabalhar 13h por dia para pagar a renda e passando algumas dificuldades, consegui finalmente o emprego que queria e estou na empresa que finalmente me está a valorizar (ao fim de um ano) com um seguro de saúde e subsídio de Natal e Férias, coisa que não sabia que existia há uns anos atrás. Aliás, vou ter férias a sério, oficiais e pagas pela primeira vez na vida. Nos outros trabalhos temporários, nunca tive hipótese. Ou porque eram estágios ou porque eram mesmo temporários. As minhas 'férias' sempre foram a semana ou duas que passava entre dois trabalhos, enclausurada em casa a enviar centenas de CVS e a esticar a minha rede até onde podia para arranjar contactos para onde enviar mais CVS, a ir a entrevistas de todo o tipo de trabalhos e a comer atum para o dinheiro chegar para a renda seguinte. 
Regressei a casa dos meus pais em Janeiro porque na altura as coisas complicaram-se no meu trabalho e estive prestes a ser dispensada por falta de verbas e quase-cancelamento de um cliente da minha empresa. Felizmente esse cliente para o qual trabalho manteve, ainda que de forma instável, o contrato com a minha empresa e assim pude planear férias e ganhar esse seguro de saúde. Ainda assim, decidi permanecer na casa dos meus pais, para juntar dinheiro e para os ajudar no que pudesse, inclusivamente, pagar-lhes eu X todos os meses agora que tudo se está a complicar para eles.

Ainda que o meu emprego continue demasiado calmo e sem perspectivas de coisas novas e dinâmicas que eu preciso para me manter motivada, com este investimento que fizeram em mim e finalmente com colegas que estão do meu lado e que valorizam o que eu faço, ganhei um novo ânimo para suportar os 'ossos do ofício'. No entanto, nem tudo são rosas... e realmente há quem diga e com razão, que muitas vezes, temos sorte no trabalho... e azar no amor.


Amanhã escreverei sobre a parte mais difícil e parcialmente a razão para me ter isolado, outra vez, do mundo.

Beijo *